O LÍNGUA é um certame dedicado às línguas da terra, onde o teatro comunitário e amador identitário de uma região ou de uma língua ou dialeto tenha palco. O que perdemos quando morre uma língua? A resposta a esta pergunta levou à criação deste festival: a importância do teatro como expressão de resiliência da mesma, porque quando morre uma língua, morre todo um legado outrora transmitido de geração em geração.
A programação do LÍNGUA abarca o teatro em línguas minoritárias, ameaçadas e transcende as suas fronteiras. Abre-se ao teatro, amador, comunitário, popular, étnico, numa procura de teatros do mundo reais como são feitos e vividos no nosso tempo. Depois do sucesso das primeiras edições (2022, 2024) e dos espetáculos em mirandês (Miranda do Douro), sassarese (Sardenha), estremenho (Estremadura) língua gestual portuguesa (Portugal), galego (Galiza), língua cabo-verdiana/crioulo (Cabo Verde) e darija/árabe marroquino (Marrocos), o certame de periodicidade bienal segue para a sua terceira edição, com espetáculos de teatro, concertos de música, oficinas e conversas temáticas.
O festival vai decorrer de 5 a 7 de junho, no Theatro Gil Vicente e outros palcos da cidade de Barcelos, irá abrir com a peça “Feitas de Ferro, Desenhadas a Carvão”, a partir do livro “Em nome da filha” de Carla Maia de Almeia, com interpretação em língua gestual portuguesa, obra protagonizada pela companhia “Era uma Vez…Teatro” – Associação do Porto de Paralisia Cerebral, que trabalha na criação de projetos artísticos de inclusão.
O festival continua com muitos participantes de diferentes territórios linguísticos que vão dar voz a várias línguas e dialetos, através de espetáculos, performances e momentos de diálogo com o público.
De Miranda do Douro chega o mirandês, com a apresentação da peça “La Princesa de ls Çapatos Rotos”, interpretada pelos alunos da Escola Secundária de Miranda do Douro. O trabalho tem direção de Duarte Martins, professor e subcomissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa.
De Minde, na Serra d’Aire, o coletivo da Casa do Povo de Minde e o Teatro de Minde Boca de Cena levam ao festival o minderico, através de uma performance teatral, exibição de vídeo “A Cabiçalva” e conversa com o público. Também de Riba de Mouro, na Serra da Peneda, o projeto Lá de Riba apresenta uma performance teatral e um momento de discussão centrado no ribamourês. Do País Basco chega o basco, considerado a língua viva mais antiga da Europa, com a comédia “Kutsidazu Bidea Ixabel”, levada à cena pela companhia Txalo-Talo. Já das Astúrias, no âmbito do teatro popular em asturiano, recentemente classificado como Bem de Interesse Cultural pelo Principado das Astúrias, será apresentada a comédia “Una de Matrimonios”, pelo grupo Teatru Carbayín.
O certame terá, ainda, uma mesa redonda sobre a importância do teatro como expressão para a salvaguarda e a difusão das línguas minoritárias, coordenada pelo Clube para a UNESCO de Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias. Haverá também espaço para formação, com destaque para a oficina de iniciação ao teatro físico, dirigida por Jorge Alonso. A música ocupa também destaque neste certame, com espetáculos de música da Galiza, com o grupo Palacio do Rei, de Miranda do Douro, com Ls Madrugadores e do Minho, com o projeto Phole, pelos músico João Gigante e Vitor Lima.
O LÍNGUA – Festival Internacional de Teatro em Línguas Minoritárias é organizado pela companhia Teatro de Balugas e pelo Clube UNESCO para a Salvaguarda do Teatro em Línguas Minoritárias, com o financiamento do Município de Barcelos, da Fundação Manuel António da Mota/ Grupo Mota Engil, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), da Fundação INATEL e o apoio de várias entidades nacionais e internacionais.
junho
05 jun. • 21h30
Theatro Gil Vicente
Largo Dr. Martins de Lima
Município de Barcelos - Theatro Gil Vicente
Promotor
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