Exposições

Dois Fios, Uma Trama

23 jan. • 15 mar. • Torre Medieval

“Dois Fios, uma Trama” é uma exposição que pretende dar a conhecer o trabalho árduo de uma dessas mulheres que, desde sempre, semeou, colheu e preparou o linho para ser tecido no tear. Este percurso foi partilhado com o marido que, apesar de não ter origens ligadas a esta produção, encontrou na união de ambos a força que determinou um ofício em comum.

Maria da Conceição Dias Pereira, filha de Isaías Antunes Pereira e Carolina Dias Carvalho, nasceu a 18 de janeiro de 1953, na freguesia de Airó, concelho de Barcelos. Filha de agricultores, desde tenra idade acompanhou todo o ciclo do linho, inclusive aprendeu a arte da tecelagem, um ofício que passou de geração em geração na sua família. Em termos profissionais, após conclusão do 4.º ano de escolaridade, Conceição Dias permaneceu junto aos pais, participando nas imensas tarefas inerentes ao trabalho no campo e na casa. Anos depois de ter casado, aos 36 anos de idade, motivada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, decidiu tirar uma formação de tecelagem, por um período de dois anos. Esta formação foi, sem dúvida, a alavanca necessária para entrar definitivamente, e de forma profissional, na arte de tecer o linho. Apesar de já ter o conhecimento, este curso facultou-lhe uma maior capacitação técnica e a abertura ao mercado. As peças que elabora são sobretudo peças para o lar, decorativas e utilitárias, designadamente toalhas, naperons, cobertas, panos e sacos do pão, entre muitas outras. Há cerca de oito anos, consciente da procura, decidiu começar a fazer presépios em tecelagem, os quais têm tido uma extraordinária aceitação.

Silvestre Lopes Duarte, marido de Conceição Dias, é filho de Manuel da Silva Duarte e Maria Barbosa Pereira Lopes. Natural da freguesia de Cristelo, concelho de Barcelos, nasceu a 12 de março de 1953. Ao longo dos anos, Silvestre Duarte teve uma série de profissões, desde mineiro, a pedreiro, mas foi como auxiliar técnico do Museu de Olaria do Município de Barcelos, onde permaneceu mais tempo, até se reformar. Quanto a tecer, é algo que acontece quase como uma brincadeira. Apesar de sempre ter acompanhado a esposa às feiras de artesanato, no sentido de prestar apoio nas montagens e desmontagens, nunca a tinha auxiliado na parte laboral, facto que se altera numa feira em Abrantes. Nesta ocasião, Conceição Dias encontrando-se lesionada de uma mão, não podia trabalhar ao vivo, tal como lhe tinha sido solicitado pela organização do certame, pelo que Silvestre Duarte, sem meias medidas, sob orientação da esposa, decide ser ele a evidenciar o trabalho no tear. Desde então, deveras seduzido pela produção, nunca mais deixou de tecer. Hoje, são ambos artesãos encartados.

Atualmente, em território barcelense, são escassas as artesãs e artesãos que manuseiam o tear tradicional para a elaboração de trabalhos em linho, uma fibra têxtil nobre, de grande qualidade e com características muito interessantes, como a respirabilidade, a absorção de humidade e a resistência. Este afastamento em muito se deve à quase inexistente produção da matéria-prima em Portugal, pelo que é necessário um olhar atento sobre o futuro deste ofício tão identitário das gentes do Minho.  

Cartaz

Permanente

23 jan. • 15 mar.

Torre Medieval

Preço

Entrada Gratuita

Município de Barcelos - Turismo

Promotor

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