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“NOTURNO A DUAS VOZES” - RECITAL TRIBUTO A EUGÉNIO DE ANDRADE, NA ...

2019-11-09 21:30 23:00
Entrada Livre

“Noturno a duas vozes”, um recital tributo a Eugénio de Andrade vai ser realizado no próximo sábado, dia 9 de novembro, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Barcelos, encerrando o programa do 9º Encontro de Bibliotecas Escolares. Este recital terá a participação de Rui Fernandes (saxofone) e Alberto Serra (seleção de poemas e voz).

Anunciado no programa da 36ª Feira do Livro de 2018, o recital não foi possível apresentar devido ao trágico acidente de um dos participantes, tendo ficado acordado, na altura, que, depois da sua convalescença, seria realizado.

Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana e manteve sempre uma postura de independência relativamente aos vários movimentos literários ao longo de mais de cinquenta anos de atividade poética.

A obra poética de Eugénio de Andrade é essencialmente lírica, considerada por José Saramago como uma “poesia do corpo a que se chega mediante uma depuração contínua”.

A 8 de Julho de 1982, foi declarado Grande Oficial da Ordem Militar de Santi’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico e a 4 de Fevereiro de 1989, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.

Em 2001, a 10 de maio, foi homenageado na Universidade de Bordéus por altura da realização do "Carrefour des Littératures", tendo sido considerado um dos mais importantes escritores do século XX. Estiveram presentes várias ilustres personalidades, entre elas o Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio.

No dia em que comemorou o seu octogésimo aniversário, foi homenageado na Biblioteca Almeida Garrett do Porto. Em 1991, foi criada na cidade do Porto a Fundação Eugénio de Andrade. Para além de ter servido de residência ao poeta, esta instituição tem como principais objetivos o estudo e a divulgação da obra do autor, assim como a organização de diversos eventos como, por exemplo, lançamentos de livros, recitais e encontros de poesia.

Eugénio de Andrade recebeu ao longo da sua vida vários prémios: Pen Clube (1986), Associação Internacional dos Críticos Literários (1986), Dom Dinis da Fundação Casa de Mateus (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), Jean Malrieu (França, 1989), APCA (Brasil,1991), Prémio Europeu de Poesia da Comunidade de Varchatz (República da Sérvia, 1996), Prémio Vida Literária atribuído pela APE (2000) e, em maio de 2001, o primeiro prémio de poesia "Celso Emilio Ferreiro" atribuído em Orense, na Galiza.

A 10 de Julho 2001,foi distinguido com o Prémio Camões e, ainda no mesmo ano, foi lançado um CD com poemas recitados pelo próprio autor. Em 2002, foram atribuídos os prémios PEN 2001 e Eugénio de Andrade recebeu o prémio da área da poesia pela sua obra Os Sulcos da Sede.

Eugénio de Andrade (1923-2005), pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia-Fundão e faleceu no Porto, a 13 de junho de 2005.

Mudou-se para Lisboa aos dez anos devido à separação dos seus pais.

Frequentou o Liceu Passos Manuel e a Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936. Em 1938, enviou alguns desses poemas a António Botto que o incentivou, publicando, em 1940, o seu primeiro livro “Narciso”.

Em 1943, mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar, convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço.

Em 1947, ingressou na função pública, como funcionário dos Serviços Médico-Sociais, e, em 1950, fixou residência no Porto, exercendo durante 35 anos as funções de Inspetor Administrativo do Ministério da Saúde.

Revelando-se em 1948, com As Mãos e os Frutos”, a que se seguiria, em 1950, Os Amantes sem Dinheiro”, o seu nome não se encontra vinculado a nenhuma das publicações que marcaram a poesia contemporânea, embora tenha editado um dos seus volumes, As Palavras Interditas”, na coleção "Cancioneiro Geral" e colaborado em publicações como Árvore, Cadernos do Meio-Dia ou Cadernos de Poesia. É, aliás, nesta última publicação, editada nos anos quarenta, que se firmam algumas das vozes independentes, como Ruy Cinatti, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Jorge de Sena, que inaugurariam, no século XX, essa linhagem de lirismo depurado, exigente, atento ao poder da palavra no conhecimento ou na fundação de um real dificilmente dizível ou inteligível, em que Eugénio de Andrade se inscreve.

Eugénio de Andrade surge como o poeta da "correlação do corpo com a palavra" (Carlos Mendes de Sousa), da sexualidade trabalhada verbalmente até atingir uma "zona gramatical cega" (Joaquim Manuel Magalhães), onde o referido sexual não tem género gramatical referente porque o discurso em que vive pertence já a uma dimensão cuja musicalidade representa a recuperação de uma voz materna intemporal.

Eugénio de Andrade foi elemento da Academia Mallarmé (Paris) e membro fundador da Academia Internacional "Mihail Eminescu" (Roménia).

Para além de tradutor de vários autores, cujas obras recriou poeticamente (García Lorca, Safo, Borges), e organizador de várias antologias poéticas, é autor de obras como Os Afluentes do Silêncio (1968), Rosto Precário (1979), À Sombra da Memória (1993) (em prosa), As Mãos e os Frutos (1948), As Palavras Interditas (1951), Ostinato Rigore (1964), Limiar dos Pássaros (1976), Rente ao Dizer (1992), Ofício da Paciência (1994), O Sal da Língua (1995) e Os Lugares do Lume (1998).

 

 


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