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Zoom | Cinema | I, Daniel Blake | Ken Loach

2017-01-13 21:30 23:00
Teatro Gil Vicente | | Barcelos
3,5€ GERAL | ENTRADA LIVRE SÓCIOS

Diagnosticado com um grave problema de coração, Daniel Blake (Dave Johns), um viúvo de 59 anos, tem indicação médica para deixar de trabalhar. Mas quando tenta receber os benefícios do Estado que lhe concedam uma forma de subsistência, vê-se enredado numa burocracia injusta e constrangedora. Apesar do esforço em encontrar um modo de provar a sua incapacidade, parece que ninguém está interessado em admiti-la. Durante uma espera numa repartição da Segurança Social conhece Katie (Hayley Squires), uma mãe solteira de duas crianças a precisar de ajuda urgente, que se mudou recentemente para Newcastle (Inglaterra). Daniel e Katie, dois estranhos cujas voltas da vida os deixaram sem forma de sustento, vêem-se assim obrigados a aceitar ajuda do banco alimentar. E é no meio do desespero que se tornam a única esperança um do outro… Palma de Ouro na edição de 2016 do Festival de Cinema de Cannes, conta com assinatura do aclamado realizador Ken Loach e argumento de Paul Laverty, colaborador de Loach em vários outros filmes, entre eles “A Canção de Carla” (1996), “O Meu Nome É Joe” (1998), “Bread and Roses” (2000), “Sweet Sixteen” (2002), “Ae Fond Kiss...” (2004), “Brisa de Mudança” (2006) – também vencedor da Palma de Ouro -, “Neste Mundo Livre...” (2007), “O Meu Amigo Eric” (2009), “Route Irish - A Outra Verdade” (2010), “A Parte dos Anjos” (2012) e “O Salão de Jimmy” (2014). PÚBLICO

Eu, Daniel Blake, um pequeno ciclo na Cinemateca e o documentário Versus, A Vida e os Filmes de Ken Loach (Louise Osmond) levam-nos à descoberta do cineasta britânico. Se tem hoje 80 anos e filma há cinco décadas, não é arriscado dizer que o seu cinema está à espera de ser (re)descoberto, e que o homem merece ser revelado. Não porque se desconheçam os filmes, mas porque foram surgindo tapados pela cortina do engajamento e da militância, até mesmo produzindo um certo efeito de automatismo de relojoaria. Dizer que Loach é sempre igual a Loach também é uma forma de o espectador encolher os ombros, desobrigando-se do esforço.

Teremos de fazer um mea culpa pelo enevoamento do olhar e dos sentidos. E voltar a ele, que nos anos 60 na TV, juntamente com os seus companheiros que por aqueles anos entravam pela BBC adentro, aventurou-se por um misto de realismo e de ficção que confundiu enormemente os espectadores e que antecipou as hoje tão apaparicadas “ficções do real”; e que tem sido fiel, orgulhosamente fiel, ao pacto que estabelece com as personagens, o centro irredutível do seu cinema mais do que qualquer pacto com o espectador – por isso, mesmo quando acusado de ser manipulador ou sectário, Loach é insensível a qualquer tendência de espectacularização. É aqui, neste pacto com as personagens, que Eu, Daniel Blake se evidencia como um dos mais comoventes gestos de uma obra.

Foi para contar a história deste marneceiro de 59 anos de Newcastle que sobreviveu a um ataque cardíaco – não pode trabalhar, segundo os médicos – mas que não vai sobreviver à burocracia do Estado Social, que o cineasta interrompeu a sua reforma (que anunciara por alturas de O Salão de Jimmy, 2014). História de pobres, de um combate ancestral pela sobrevivência, é um filme indignado com a devastação social e humana mas com uma delicadeza de olhar a resistir no espaço dos sentimentos e da intimidade. Isso mesmo, possibilidade de resistência: as relações íntimas a contrariarem a violência da retórica social (e resistência contra a retórica do filme de denúncia e de mensagem política). É essa a política: os sentimentos.

VASCO CÂMARA | PUBLICO


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