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Zoom | Cinema | As Asas do Vento | Hayao Miyazaki

2017-04-06 15:00 17:30
Teatro Gil Vicente | | Barcelos
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Inspirado pela obra do italiano Gianni Caproni (1886-1957), responsável pela criação de vários bombardeiros usado pelas frotas italianas, francesas, britânicas e americanas durante a Primeira Grande Guerra, o jovem japonês Jiro Horikoshi deseja aprender tudo o que esteja ligado aos aviões. Como usa óculos desde pequeno, não pode ser aviador, pelo que dedica a sua vida ao estudo de aeronáutica. Depois de terminar os estudos superiores, consegue trabalho numa grande empresa da área. Por demonstrar grandes capacidades, é-lhe dada a liberdade para construir os seus próprios protótipos. Jiro acaba por se tornar um dos mais importantes engenheiros de aeronáutica do seu tempo. Percorrendo os eventos mais representativos da vida desta personagem, o filme acompanha os grandes acontecimentos da História, recriando o sismo que teve lugar em Kantō (Japão) a 1 de Setembro de 1923, os terríveis anos da Grande Depressão, a epidemia de tuberculose ou a entrada do Japão na Segunda Grande Guerra. Com argumento e realização do mestre de animação japonês Hayao Miyazaki ("Princesa Mononoke", "A Viagem de Chihiro", "O Castelo Andante", "Ponyo à Beira-Mar"), um filme animado que cruza as histórias reais do engenheiro Jiro Horikoshi (1903-1982) e do poeta Tatsuo Hori (1904-1953). "As Asas do Vento" teve uma nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e para o Óscar de Melhor Filme de Animação. PÚBLICO

"Já desesperávamos de ver em sala o último filme do mestre japonês da animação Hayao Miyazaki — e último, aqui, não significa apenas “mais recente”, significa mesmo “último”, já que o cineasta anunciou publicamente a sua “reforma”, deixando As Asas do Vento como “testamento” cinematográfico.

É verdade que o seu cinema poético e adulto nunca granjeou muitos espectadores entre nós, e mais verdade é que a exibição e a distribuição portuguesa têm sérias dificuldades em abrir espaço para objectos “fora do baralho” num mercado onde a bitola continua a ser o filme “para miúdos” e o “massacre” mediático da Disney.

Mas, finalmente, com quase dois anos de atraso sobre a sua estreia japonesa e a passagem a concurso em Veneza 2013, As Asas do Vento chega às salas para uma breve carreira comercial. E mais vale mesmo tarde do que nunca, já que esta ficcionalização da vida de Jiro Horikoshi, engenheiro aeronáutico responsável pela criação do temido caça militar Mitsubishi Zero, no Japão pré-Segunda Guerra Mundial, funciona como uma espécie de “súmula autoral” do cinema de Miyazaki, na sua tentativa de reconciliar a técnica e a emoção, o sonho e a realidade. Não é por acaso que As Asas do Vento é um filme sobre um criador de aviões — no seu melhor, o cinema de animação “desprende-se” da gravidade do mundo real e adquire uma dimensão de “levitação” ou “suspensão”. A história de Jiro é, para Miyazaki, a possibilidade de ganhar asas e deixar para trás o “peso” da realidade para dar ao mundo um sonho que lhe sirva de guia: o mestre japonês mostra-o através da relação mestre-discípulo entre Jiro e o engenheiro italiano Giovanni Battista Caprone, que nunca se encontram a não ser em sonhos, e da ambiguidade moral de ambos ao dirigirem a sua “vocação” para a criação de aviões de guerra.

Para lá disso, contudo, As Asas do Vento é também um extraordinário melodrama clássico (nos moldes de um filme como Breve Encontro) sobre o amor como força motriz, através do romance entre Jiro e Naoko, descrito com uma contenção e uma delicadeza extraordinariamente difíceis de encontrar hoje em dia na imagem real. De certo modo, o que torna As Asas do Vento ainda mais notável é a sensação de que, ao falar de Jiro, Miyazaki está a falar de si próprio: o engenheiro é uma personagem “fora de tempo” no modo como, em plena idade “industrial”, usa a simples espinha do peixe como inspiração, enquanto, numa altura em que a animação se tornou cada vez mais obra de computador, o cineasta continua teimosamente a seguir uma estética de artesanato manual no traço e na elegância. A dada altura em As Asas do Vento, um piloto de testes diz da última criação de Jiro Horikoshi que “voa como um sonho”. Podíamos dizer o mesmo do filme, belíssima “coda” para uma carreira notável: Hayao Miyazaki vai fazer-nos muita falta."


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