Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Secções
Ferramentas Pessoais

Zoom | Cinema | A toca do lobo | Catarina Mourão

2017-01-12 21:30 23:00
Teatro Gil Vicente | | Barcelos
3,5€ GERAL | ENTRADA LIVRE SÓCIOS

O escritor Tomaz Xavier de Azevedo Cardoso de Figueiredo nasce em Braga, a 6 de Julho de 1902. Pouco depois, a família muda-se para a Casa de Casares, construída pelo seu avô materno em Arcos de Valdevez. Aos 12 anos vai para o Colégio dos Jesuítas, em La Guardia (Galiza, Espanha) e, em 1920, ingressa no Curso de Ciências Jurídicas, em Coimbra. Em 1930, já casado, vai para Tarouca como notário. Mais tarde passa pela Nazaré, Ponte da Barca e Estarreja. Durante a década de 1950, é-lhe diagnosticada doença psiquiátrica, que o obriga a internamento hospitalar. O seu romance "A Toca do Lobo", Prémio Eça de Queiroz em 1948, em que o escritor revive a sua infância e juventude, dá nome a este filme realizado por Catarina Mourão ("Desassossego", "À Flor da Pele", "Pelas Sombras"), sua neta. O que começou como um projecto de doutoramento na Universidade de Edimburgo (Escócia) transformou-se num documentário transgeracional sobre a sua própria família. O momento decisivo para a sua realização aconteceu com a descoberta de um programa de televisão nos arquivos da RTP sobre Tomaz de Figueiredo, que ela nunca conheceu mas que parece falar-lhe directamente. "Aí foi o momento em que eu disse: este filme tem de ser sobre o meu avô. Porque senti que, de uma forma quase fantasmagórica, ele me estava a convocar para fazer este filme. Na história, narrada na primeira pessoa pela realizadora, "passado, presente e futuro estão todos juntos ali como se fossem um só", resume. PÚBLICO

Portugal não lida bem com a sua memória. Não é de hoje, é mesmo de sempre, e é disso que fala o magnífico filme de Catarina Mourão – que já desesperávamos de ver chegar ao grande público, depois de ter feito o circuito de festivais ao longo dos últimos 18 meses. É do Portugal dos anos de Salazar, e da sua sociedade atrofiada, que A Toca do Lobo fala, mas também dos segredos, das mentiras, dos silêncios e das omissões que continuamos a cumprir quase religiosamente, mesmo hoje, 40 anos depois do 25 de Abril.

Partindo de uma construção de documentário de factura tradicional – depoimentos contemporâneos, imagens de arquivo, pesquisa de material – Catarina Mourão revela lentamente a verdade do filme como uma paciente investigação detectivesca, contada na primeira pessoa pela realizadora, com a ajuda preciosa da mãe que vai preenchendo de memória o que não está nos arquivos e nos registos. Nesse processo de avanços e recuos, A Toca do Lobo desenrola-se como um quebra-cabeças que nos envolve aos poucos, começando como uma simples curiosidade pessoal para terminar numa verdadeira reconstrução da história familiar, à volta não de uma presença mas de uma ausência: Tomaz de Figueiredo (1902-1970), o avô materno que Catarina Mourão nunca conheceu, escritor que chegou a ser publicado mas cuja memória se foi perdendo com o tempo, dentro e fora da família

A tentativa de devolver espessura a essa memória – convocada pelo acaso de imagens de arquivo de um programa televisivo onde o escritor se dirige a uma neta que se poderia vir a chamar Catarina, anos antes de ela ter sequer sido concebida – transforma-se então numa tentativa de resolver um mistério espicaçado pelas inconsistências e pelos silêncios, pelas questões que vieram inclusive separar a família. E, nessa teimosa insistência em deixar as coisas a remoer, por dizer, por resolver, num lume brando entre o doloroso e o ressabiado, A Toca do Lobo amplifica de modo quase comovente essa dificuldade tão portuguesa de assumir e aceitar a nossa história tal como é, sem a minimizar nem a empolar; de sabermos olhar para ela como parte de um contínuo temporal.

JORGE MOURINHA | PUBLICO


41.52963882932862,-8.621851745992899

AS PALAVRAS EM LIBERDADE: COLEÇÃO E.M. DE MELO E CASTRO

2017-07-07 18:00

A Biblioteca Municipal de Barcelos recebe de 7 de julho a 23 de setembro a exposição "AS PALAVRAS EM LIBERDADE: COLEÇÃO E.M. DE MELO E CASTRO" da ...