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“AS ARTIMANHAS DE SCAPIN” - TEATRO

Sessões

Sex 2.03.2018, 21h30
Sáb 3.03.2018, 21h30
2018-03-02 21:30 2018-03-03 23:30
Teatro Gil Vicente | | Barcelos Largo Dr. Martins Lima
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A Nova Comédia Bracarense – Companhia de Teatro Amador de Braga, APRESENTA “AS ARTIMANHAS DE SCAPIN”, (Comédia) MOLIÈRE. Este espetáculo não está ao abrigo do Cartão Quadrilátero. Mais informações em: tgv@cm-barcelos.pt e Telf. 253809694

«Num momento em que a cena vem sendo tomada por projetos que procuram apenas o riso pelo riso, em exercício de grande solidão estética, e em que muitas companhias são tentadas a representar peças de fundo literário, já para não falar de um pseudo-teatro insipiente, carecido de forma e conteúdo, convém regressar àqueles clássicos que constituem uma fonte inesgotável de ensinamentos. É o caso de Molière, cuja lição precisa de ser recuperada. Sem dúvida que foi considerado o maior comediógrafo da história do teatro; mas para chegar a essa excelência, foi um assíduo frequentador de teatros de Paris, aprendeu com grandes mestres, particularmente com Scaramouche e os cómicos italianos, estudou em profundidade a sociedade do seu tempo, adquiriu a difícil técnica do ator rigoroso e versátil, escreveu peças de fundo social e desempenhou os papéis das suas personagens principais. Ele soube como nenhum outro descobrir a missão histórica, social e cultural do teatro; a qual, para atuar sobre a consciência do público, tinha de ser necessariamente estruturada em linhas claras, em juízos pertinentes e em diálogos e movimentos leves e graciosos.

Depois de toda essa aprendizagem, Molière usou a comédia para atacar impiedosamente os males que minavam a sociedade em que viveu, expondo nas tábuas do palco toda uma imensa galeria de libertinos, hipócritas, maníacos, ignorantes, devassos, avarentos… Contrariamente, celebrou em cena a liberdade amorosa dos jovens amantes, a dignidade sentimental da mulher, a inesgotável capacidade sobrevivente dos simples. Em “Artimanhas de Scapin”, para lá do seu impagável histrionismo, Molière “explica” como a avareza da velha burguesia parisiense pode concorrer para a infelicidade dos jovens, e como o estado da justiça é um empecilho para o desenvolvimento da França do séc. XVII. E dourou tudo isso com um cómico de situação só ao alcance daqueles a quem as musas da poesia concedem as suas liras de sonho e encantamento. Não sem razão ficou para a história a sua máxima de que «o dever da comédia é corrigir os homens divertindo-os».

 

O Encenador

Fernando Pinheiro


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